Dever de casa para 2020: a agricultura dirigida pela eficiência
A grande lição do Showtec 2012 foi dada logo na sua abertura oficial, na palestra do engenheiro agrônomo Marcos Fava Neves, que é pós-graduado em Agribusiness e Marketing Europeu.
Mais do que fazer projeções ousadas, como a exportação de US$ 200 bilhões para o agronegócio até 2020, Neves alertou para as pedras no caminho dos produtores. A primeira é a comunicação do meio rural para o urbano:
- O agronegócio é o grande gerador de caixa do Brasil e a sociedade urbana precisa saber disso, exclamou Fava Neves.
Os argumentos usados pelo agrônomo são inúmeros. O primeiro deles é retratado na imagem abaixo. Em 2000, o saldo da balança do agronegócio (importação / exportação) era 14% menor que o saldo total da balança comercial brasileira, representava 86% do saldo total. Já em 2011, o saldo total da balança, que inclui o agronegócio, é 3 vezes menor que o saldo da balança do agronegócio, o que ressalta a relevância do setor para a economia nacional.

Imagem: evolução do saldo da balança comercial brasileira em bilhões de dólares.
Em 2000, agronegócio representava 0,86 do saldo. Hoje, representa 3 vezes o saldo total.
Produtos mais exportados:
1. Complexo soja
2. Açúcar e álcool
3. Carnes
4. Café (incremento de 52% no último ano, faturando US$ 9 bilhões)
5. Madeiras e subprodutos
6. Fumo e derivados
- O Brasil sempre era representado em um estande pequenininho na Anuga (importante feira alimentícia que ocorre bienalmente na Alemanha). Em 2011, a BR Foods estava com o maior espaço e recebia seus visitantes com a seguinte frase: “você está entrando no estande do maior exportador de frango e do 2° maior exportador de carne suína do mundo. Somos responsáveis por 9% da troca mundial de proteína animal”, ressaltou Marcos Fava Neves.
Relação iPad x Cana de açúcar
Em sua aula, Fava Neves gosta de cobrar de seus alunos a devida atenção para a importância do campo. “Tenho uns alunos de 18 anos que gostam de esbravejar contra a cana de açúcar, contra o campo... Mas aí eu pergunto pra eles se eles sabem a relação entre o iPad 2 que eles usam e a cana de açúcar. Oras, a cana é a responsável por impulsionar o consumo no interior”, revelou o professor.
Só na região oeste da Bahia, que agrega os municípios de Barreiras, Luiz Eduardo Magalhães e Santa Maria da Vitória, foram R$ 7 bilhões vindos da renda agrícola em 2011. “Sem essa geração de riqueza, não tem distribuição de renda”, explicou Fava Neves.
As pedras no caminho
Para o engenheiro agrônomo, ainda é baixo o índice de utilização de conteúdo tecnológico – apenas metade das propriedades rurais brasileiras usam, mostrou em sua apresentação.
- Nós temos que ser líder em custo e não em preço, esclareceu Fava Neves. A apresentação mostrava ainda um gráfico que citava os desafios dos agricultores para exportar US$ 200 bi até 2020:
O palestrante deixou claro que, apesar de serem promissores, os próximos anos não serão fáceis para a produção agrícola no Brasil e comprovou com manchetes de importantes veículos da imprensa mundial e brasileira, citando, por exemplo, que o Brasil é o país cujo setor do agronegócio tem o menor retorno sobre imposto pago em comparação com o mundo.
Outro dado que chamou a atenção foi a perda que o setor sucroenergético teve por não se preparar para aumento de demanda por etanol. Foram cerca de US$ 7,5 bilhões deixados de fora da conta. “Vendemos em 2011 3,2 milhões de automóveis, dos quais 84% da frota era motor flex (que funciona a gasolina e etanol). Na China, foram vendidos 18 milhões de automóveis”, alertou Fava Neves.
Para concluir, o agrônomo listou os principais alertas para o produtor rural não ser surpreendido nos próximos anos:
- Aumento dos custos de produção;
- Gestão pública;
- Legislação trabalhista (defasada, em sua opinião);
- Menor tolerância a movimentos privados para fazer valer o direito à propriedade;
- Não dividir atenção entre grandes agricultores e agricultura familiar. “É um conceito baseado numa ideologia do passado”, afirmou;
- Tomar cuidado com "inimigos internos" ligados a alguma ONG do meio ambiente.
Você sabia ...
- O Brasil é líder mundial em produtividade de soja (3300 kg/hectare) e algodão e segundo colocado na produtividade de milho (perde para os EUA). Destaque para a região Centro-Oeste, que tem produtividade maior que a média nacional para essas três culturas.
- A exportação das cooperativas brasileiras avançou 177% de 2005 a 2011, exportando US$ 6,1 bilhões ano passado contra US$ 2,2 bi há 7 anos.
- A população urbana brasileira é de 85% e 15% é rural. Na China, pela primeira vez, a população urbana igual a rural – 50% a 50%.
- Nos últimos anos, a economia de países do continente africano cresceu mais que a economia de países asiáticos, abrindo novos mercados para a produção agrícola brasileira.
- Kip Cullers, vencedor do concurso de produtividade de soja nos EUA (colheu 173,3 sc/hectare com irrigação), disse a Fava Neves que o produtor brasileiro é mais inovador que o americano e, embora Neves discorde, Cullers afirma que a terceira guerra mundial será por comida.
meos parabéns ,gostatia de receber mais pubkicações deste autor Tancredo Theodoro de Faria/Mestre em Produção e Gestão Agroindustrial
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