Expoagro 2012 Dourados: Simpósio da Agricultura atrai público
17 May 2012
O tema do no 11º Simpósio da Agricultura, “Em busca da produtividade - ultrapassando limites”, atraiu um público de aproximadamente 400 pessoas que assistiram ao evento no auditório do Parque de Exposições durante a Expoagro 2012 Dourados, na terça-feira, 15 de maio.
“Para a Embrapa Agropecuária Oeste, discutir a questão de alta produtividade é de grande importância, porque a pesquisa é movida por desafios”, disse o chefe adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento da Unidade de Pesquisa, Guilherme Asmus, na abertura do evento. Também deram as boas-vindas o diretor do Grupo Plantio na Palha de Dourados (GPP), Ângelo Ximenes, e o primeiro secretário do Sindicato Rural de Dourados, César Dierings
Na sequência, o público assistiu à primeira palestra, ministrada pelo diretor-presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) Orlando Martins. O engenheiro agrônomo explicou que o CESB, criado há quatro anos por diferentes profissionais do agronegócio, discutem e buscam compreender como alcançar altas produtividades na cultura da soja. “Dominar a tecnologia e a produção de 90 sacas por hectare dentro de cinco, seis anos é o nosso objetivo. Não é fácil, mas não é impossível.”
Por isso, o Comitê criou o Desafio Nacional de Máxima Produtividade, em que o agricultor, de acordo com a região do país, inscreve uma área de dez hectares, adotando um conjunto de elementos para aumentar a produtividade. Os ganhadores têm seu sistema estudado para que possa ser colocado em prática por outros produtores. “Estamos vendo aflorar as produtividades no Brasil e temos que entender como funcionam os processos. É uma busca contínua de aprimoramento de tecnologias”, falou Martins.
Orlando relatou também quais são os elementos utilizados pelo produtor rural do Paraná Leandro Ricci que, por dois anos consecutivos, venceu o concurso, na região sul, com mais de 100 sacas de soja por hectare. Entre os fatores, Ricci preocupou-se com uma variedade de soja de qualidade, em que não ocorra o acamamento, mesmo com população alta, assim como fez a opção pelo plantio cruzado, para evitar competição entre as plantas. “Ele fez o plantio cruzado por não possuir plantadeira adequada. O importante é evitar a competição entre as plantas”
Em seguida, o coordenador do 3º Ranking de Produtividade da Cultura da Soja 2011/2012, em Laguna Carapã/MS, Creovaldo Dosso, falou sobre a competição dentro do município, que foi baseada no desafio do CESB. “É uma maneira de colaborar para o aumento das produtividades do município, servindo de exemplo para outros municípios da região.” O vencedor deste último ranking foi o produtor rural Raphael Cassol, com 74,10 sc/ha com a cultivar da Embrapa BRS 284.
Limitantes ou potencializadores
Tanto Orlando Martins quanto o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Rodrigo Arroyo Garcia ressaltaram a importância de se observar fatores que podem limitar ou potencializar a produtividade, de acordo com as ações adotadas pelo agricultor. Em regiões com índice pluviométrico baixo, o aumento do uso de potássio demonstrou, segundo Martins, que a produtividade melhora significativamente.
O pesquisador Arroyo Garcia, durante sua palestra na parte da tarde, reforçou a necessidade da manutenção de palhada na superfície, da alternância das épocas de semeadura das cultivares de soja e do respeito ao zoneamento agrícola, do manejo fitossanitário, da população e do espaçamento de plantas. “Dependendo das condições, espaçamentos mais reduzidos podem aumentar as produtividades de algumas cultivares, mas questões relacionadas à utilização de máquinas agrícolas e problemas fitossanitários podem ser limitantes”, diz Arroyo.
Uma tecnologia apontada por Martins como potencializadora das produtividades é a braquiária consorciada com milho, que contribui para aumentar a biomassa e cria quantidade de microorgaanismos no solo. “O consórcio ajuda a diminuir a população de nematoides, assim como o uso de croalárias, que em algumas propriedades chegou a reduzir a zero”. Arroyo acrescenta ainda que as tecnologias do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), como Sistema Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), Integração Lavoura-Pecuária (iLP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), são relevantes para potencializar as produtividades.
Para Martins, “sem cuidar os elementos limitantes não há como ter altas produtividades. É preciso tratar as causas limitantes primeiro. O que se percebe ao estudar os casos é que o aumento da produtividade é causado com o somatório de fatores. Elementos isolados não elevam a rentabilidade. Quanto mais produtores se envolverem no processo, mais conseguiremos recordes, aflorando diversas tecnologias para outros produtores”, concluiu Martins.
Debates - Após as palestras da manhã e da tarde, houve espaço para debates entre os palestrantes e o público. À tarde, além do pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, participaram do debate o engenheiro agrônomo e professor da UFGD Luiz Carlos Ferreira de Souza; o engenheiro agrônomo e produtor rural Élvio Rodrigues, o produtor rural de Dourados Robert Ferter e o engenheiro agrônomo Angelo Ximenes da Coperplan Dourados.
Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste