Seca provocada por La Niña castiga soja sul-americana
17 May 2012
A seca provocada pelo fenômeno climático La Niña obrigou a reduzir a estimativa para a safra de soja na América do Sul, região que é forte fornecedora mundial, e o vigor da demanda mantém os preços, afirmaram analistas.
Enquanto as máquinas de colheita ainda avançam pelos campos levantando nuvens de poeira, no Brasil a produção de soja cairá de 75,3 milhões para 66,6 milhões de toneladas em relação à safra anterior, cerca de 11,5% menos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimiento (Conab).
Na Argentina, o volume estimado caiu de 44,5 milhões para 40,9 milhões de toneladas e a colheita será 19% inferior à de 2011, quando alcançou 49,2 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, o maior pólo agroindustrial no norte de Buenos Aires.
O Paraguai, fortemente afetado pela seca, prevê uma queda de 47% em comparação com 2011, ao reduzir de 2.917 para 1.556 quilos da leguminosa obtida por hectare, de acordo com os dados do Ministério da Agricultura.
Dos estragos do clima salvou-se o Uruguai, onde as autoridades não fazem estimativas, mas o consultor Eduardo Blasina disse à AFP que "este ano a colheita vai passar das 2 milhões de toneladas, possivelmente 2,2 milhões, o que é uma cifra histórica.
Após a seca, choveu no momento certo no Uruguai para escorar as colheitas.
Brasil (segundo produtor mundial) e a Argentina (terceiro), que representam quase a metade do cultivo global, "foram afetados por condições climáticas muito secas", segundo o relatório de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A contrapartida é que "a demanda é forte, já que a China até o fim do ano passado previa que a América do Sul faria um grande aporte à oferta mundial", disse Manuel Alvarado Ledesma, da Consultoria Agroeconômica da Argentina.
As importações de soja pela China, o melhor cliente dos sul-americanos, projetam-se para cima e sustentam os preços, segundo analistas do mercado americano de Chicago.
O preço da tonelada de soja chegou a atingir este ano os 550 dólares e se estabilizava abaixo disso, mas acima dos 480 dólares há um ano.
"Os aumentos nos preços das oleaginosas compensam parcialmente a queda no preço dos cereais (como milho e trigo)", disse à AFP Patrícia Bergero, subdiretora de estudos econômicos da Bolsa de Rosário.
Bergero afirmou que no caso argentino "a renda por exportações (agrícolas) poderá ficar entre 30 bilhões e 31 bilhões de dólares, contra 33 bilhões no ano passado".
O presidente do poderoso grupo agrícola argentino Los Grobo, Gustavo Grobocopatel, com investimentos na América do Sul, concordou: "a colheita de soja vai ser menor do que esperávamos".
"Por outro lado - completou em um seminário do estatal Banco Província -, o preço aumentou, compensando a produção menor" da leguminosa.
No Brasil, a Conab, vinculada ao Ministério da Agricultura, também admitiu que "as condições climáticas adversas causadas pelo fenômeno La Niña são as responsáveis pelo resultado negativo da safra".
A seca causou "perdas significativas" na produção dos estados da região sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, com uma queda de 43,8%, e no Paraná (-30%) e Santa Catarina (-25,6%), segundo a Conab.
O fenômeno La Niña, que envolve menos chuvas em áreas sul-americanas, chegou a tal extremo este ano que "há muitos campos no norte argentino nos quais não se colherá nada", disse à AFP Daniel Frascarolo, da entidade privada Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (CREA).
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Fonte: Terra Notícias