História da Raça: Sindi
17 May 2012
Um animal altamente adaptado às regiões secas do Brasil e que foi importado justamente para suprir a demanda de leite, queijo e manteiga no Norte e Nordeste. Este é o Sindi, destaque da Série História da Raça desta quinta-feira.
+ 3º Leilão Essência da Raça Sindi - 2013
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| Origem | Origem no Brasil | Características | Entrevista com o Produtor | Fotos |
Origem
Considerada uma das raças mais antigas do mundo, o Sindi veio do Paquistão, de uma região desértica localizada na província Sindi. Informações colhidas no site dos Criadores de Sindi do Rio Grande do Norte mostram que o animal é oriundo especificamente de uma região chamada Kohistan.
Esta localidade é plana e baixa ao sul, em contrapartida apresenta um relevo acidentado, com montanhas entre 900 e 1,3 mil metros de altitude na parte norte e oeste. O solo é pedregoso e arenoso, com pouca vegetação disponível.
Além disso, em Kohistan o clima é semi-árido, com as chuvas concentradas entre julho e outubro, com mudanças bruscas de temperaturas, típicas dos desertos, oscilando entre 46º e 48ºC na máxima e caindo para até 1,6ºC.
Com tudo isso, o crescimento das forrageiras, obtidas em pequenas quantidades, ocorre entre agosto e outubro, mas há outras gramíneas duras, ásperas e lenhosas, que não são tão nutritivas.
Com todos esses percalços, o Sindi se tornou o animal ideal para ser criado nas regiões tropicais do Brasil, já que obrigatoriamente adquiriu rusticidade.
Origem no Brasil
Como foi dito no tópico acima, o Sindi veio de uma região quase desértica, onde a alimentação era escassa, adquirindo rusticidade e facilidade de adaptação, ou seja, um animal perfeito para as criações no Nordeste e também Norte do Brasil. Aqui, as primeiras importações ocorreram em 1850.
E dentro desse período, onde a distância e outras circunstâncias dificultaram a entrada desses animais nos territórios brasileiros, se destacam dois criadores, Ravisio Lemos que comprou esta raça em 1930 e Felisberto de Camargo que em 1952 trouxe de avião 32 animais (29 fêmeas e 3 machos).
O curioso é que nessa negociação Camargo teve dificuldades enormes como intervenção do governo americano e início da ditadura, com isso os animais foram impedidos de chegar no seu destino final, ficando retidos em Fernando de Noronha por 2 ou 3 anos até ocorrer a liberação para o Pará.
Aliás, o objetivo da chegada do Sindi no Pará foi abastecer esse mercado com produtos lácteos.
A principal característica do Sindi é a pequena estatura, porém com grande profundidade, possui pelagem avermelhada, com pequenas pintas brancas na barbela, testa e no ventre.
É um animal rústico (característica desenvolvida graças à dureza do clima da região originária), com grande prolificidade.
Entrevista com Pompeu Maroja – Diretor Executivo da ABCSindi e Criador do Estado da Paraíba
Rural Centro – Há quanto tempo e porque o senhor escolheu o Sindi para aumentar sua criação?
Pompeu Maroja - Eu me dedico a esta raça desde 2006 e aqui na minha região existe um plantel de estudo realizado pela Embrapa muito eficiente e que traz bastante esclarecimento sobre a raça. Aliás, é importante salientar que o Sindi veio ao Brasil para abastecer o Norte e o Nordeste de leite, queijo e manteiga, mas chegando aqui foi verificada a dupla aptidão, ou seja, percebemos que o Sindi também produz carne.
Antes, eu criava Nelore e tinha muito preconceito com o Sindi porque é uma raça de animais pequenos. Hoje vejo que o Sindi tem apenas as pernas pequenas, mas tem grande profundidade.
É um animal altamente rústico, com boa adaptabilidade em climas semidesérticos, como o Nordeste e como fertilidade fora do comum, entrando no cio e dando crias mesmo se alimentando apenas de palha seca.
RC – Então, qual é a dica que o senhor dá para quem também apresenta resistência ao Sindi?
PM - Por ser nordestino e por ter sido preconceituoso é que eu sou a pessoa mais indicada para recomendar aos produtores de regiões mais férteis para que conheçam e criem o Sindi. A maioria dos produtores acha que a estrutura deste animal é anomalia, isto é um erro recorrente.
O meu conselho é experimente a raça Sindi! Analise melhor, faça alguns cruzamentos e veja os resultados. Observe a profundidade dos animais e não apenas o tamanho das pernas, imagine um nelore com o corpo do Sindi.
RC – Durante esses seis anos de criação do Sindi, quais obstáculos o senhor encontrou e como foram superados?
PM - Problema nenhum, ao contrário, o animal não exige nada mais que os outros, eu até o momento só tive dificuldades com outras raças por causa do nosso clima, não com o Sindi. Este animal de dupla aptidão pode gerar um rendimento carcaça superior a 58%, uma vez que os ossos são mais finos e no caso do leite pode obter, em média, 10 litros de leite/dia/vaca, além de um bom teor de gordura.
RC – Quais são as metas da ABCSindi para 2012?
PM – É o crescimento da raça no Nordeste, onde o maior rebanho é na Paraíba e no Rio Grande do Norte, agora queremos difundir o Sind nos outros Estados Nordestinos.
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créditos das fotos: Fazenda Reunidas Castilho
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Fonte: Ana Brito / Rural Centro



