Frete da soja no Brasil é três vezes mais caro que nos EUA
23 May 2013
A cidade de Canarana, interior do Mato Grosso e distante cerca de 800 km da capital Cuiabá, próxima às divisas com Tocantins e Goiás, produz 800 mil toneladas de grãos todo ano. O volume é escoado principalmente pelo porto de Santos e o caminho até lá é percorrido em dois trechos: 900 km de rodovia e mais 1000 km até o embarque, totalizando 1900 km completados entre cinco e oito dias. Comparando com um dos concorrentes brasileiros na exportação de soja, a Argentina, a distância é quatro vezes maior para os produtores mato-grossenses e o valor do frete por tonelada é duas vezes e meia mais caro.
Para que a carga chegue até o porto de Santos, o frete da tonelada custa aproximadamente R$ 235,00. Enquanto isso, no país vizinho, 80% da safra é transportada por caminhões, mas o frete custa apenas US$ 45,00 apoximadamente R$ 92,00. Outra diferença que influencia na competitividade é a distância. Como informou Alejandro Vejrup, consultor da AACREA, a Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentos Agropecuários, quase toda a safra de grãos dos nossos vizinhos está localizada a 400 km dos portos, diminuindo a distância para o escoamento e, consequentemente, o custo do frete.
Já nos Estados Unidos, os produtores têm o desafio de superar a mesma distância dos brasileiros do Mato Grosso, cerca de 1900 km. O valor do frete por tonelada, no entanto, é de US$ 35,00, ou R$ 71,55 - três vezes menos que no Brasil. A diferença explica-se pela boa infraestrutura dos norte-americanos, somada pela excelente qualidade das rodovias, que "permite que a soja chegue rápido ao cliente, garantindo um preço maior e, por utilizarmos navios, tem baixo custo", explicou o Mike Morron, profissional que atua no mercado da soja nos EUA. A capacidade de armazenagem também é um diferencial dos americanos, já que boa parte dos sojicultores do país tem silos nas propriedades.
A apresentação dessas informações, feita em Canarana-MT, fez parte da programação de uma das etapas do Circuito Aprosoja, realizado anualmente entre abril e maio e com a meta de informar o produtor sobre seu planejamento. A ideia é reunir especialistas brasileiros e estrangeiros para ajudar os sojicultores em suas estratégias durante o pré-plantio.
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com informações da assessoria de imprensa da Aprosoja/MT, Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso, que organiza a oitava edição do Circuito Aprosoja em parceria com o Senar/MT, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado.
Foto: Thaiany Regina / Rural Centro
Fonte: Rural Centro