Balanço do Mercado da Soja: De olho no clima
Enquanto o mercado aguarda as novas projeções da Conab e do USDA, além dos novos números de exportação, o produtor precisar continuar focado no clima, ainda mais neste momento em que as lavouras estão susceptíveis às intempéries climáticas.
Clima em todo o Brasil para esta semana é o destaque do Balanço do Mercado da Soja.
Lembrando que o balanço elaborado pela Rural Centro apresenta as principais informações do setor. A ideia é que o produtor encontre em apenas uma página tudo o que é importante para o desenvolvimento do seu negócio e as principais notícias dos últimos dias.
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A semana será marcada por chuvas em boa parte do país, isso porque uma massa de ar polar passa pelo país nos próximos dias.
Segundo os meteorologistas a partir de quinta-feira (26 de abril), uma nova frente fria começa a avançar sobre o Brasil. Até o dia 28 de abril, há previsão de chuva que acumula volume acima de 70 mm em grande parte do Paraná, no centro-sul e no leste de São Paulo e no sul de Mato Grosso do Sul.
Esta frente fria virá acompanhada de uma nova massa polar que irá provocar queda acentuada de temperatura na Região Sul. Entre a sexta-feira (27 de abril) e o sábado (28 de abril) há condições para a formação de geada em algumas áreas do Sul do Brasil. A situação continuará complicada na região Norte do país, sujeito a pancadas de chuva frequentes. Algumas localidades da Região Norte podem registrar volumes acima de 200 mm acumulados.
No período entre 29 de abril e 03 de maio, ainda são esperadas chuvas significativas para parte das Regiões Sul e Sudeste.
Se o clima preocupa os produtores de algumas partes do Brasil, o preço apresenta um cenário animador. Dados do Cepea (Centro de Estudo e Pesquisa Aplicada) revelam que os últimos doze meses anotam alta significativa de 32,4%, saindo de R$ 43,81/sc para anotar no último dia 20, R$ 58,01/sc. E mais, com raras exceções, 2012 tem sido um ano de números positivos, como pode ser visto no gráfico abaixo.
Nesta segunda-feira, o mercado da soja na BM&FBovespa finalizou o dia com alta leve de 0,4%, com a posição jul/12 valendo US$ 32,63/sc.
Ao contrário do resultado da Bolsa de Chicago, que finalizou os trabalhos com quedas entre 0,6% e 0,85, com o mais curto prazo a US$ 14,4/bushel.
As últimas informações da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que no primeiro trimestre os resultados das exportações brasileiras de soja foram recordes.
Os embarques internacionais de soja acumularam 6,8 milhões de toneladas líquidas, maior volume da história, três vezes mais que no ano anterior (3,2 milhões/t) e duas vezes mais que que o resultado de 2010 (3,8 milhões/t).
A receita adquirida com as exportações da oelagionosa totalizou 3,2 bilhões de dólares, o maior resultado de todos os tempos, com alta de 102% em relação a 2011 (US$ 1,6 bilhão) e com ganho de 119,5% frente 2010 (US$ 1,48 bilhão).
Cada tonelada foi exportada a uma média de US$ 475,3.
O país que mais compra soja brasileira continua sendo a China, com total de 4,3 milhões/t, anotando participação de 63,7%. O volume negociado pelos chineses é o maior verificado até então. Muito abaixo, mas na segunda posição, os espanhóis compraram do Brasil 838,7 mil toneladas de soja, representatividade 12,3% no resultado total. Em terceira posição, a Tailândia, com 307,8 mil toneladas e na quarta posição Taiwan com mais de 305 mil toneladas.
Mato Grosso continua sendo o Estado que mais exporta soja, anotando 3,3 milhões de toneladas nos três primeiros meses de 2012, contabilizando o maior volume histórico. Os paranaenses, na segunda posição, exportaram 1,39 milhão de toneladas. Em terceiro lugar, os goianos embarcaram 780 mil toneladas. E, logo abaixo, com 387,4 mil toneladas, ficou o Mato Grosso do Sul.
Na safra 2011/12, a área de plantio projetada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) deve totalizar 24,998 milhões de hectares, 3,4% a mais que na safra anterior, de 24,2 milhões de toneladas. Além disso, os técnicos da entidade ampliaram a projeção de abril em relação à anterior (24, 972 milhões/hec).
Entre os dois últimos estudos da entidade, a estimativa de produtividade foi alterada em 5%, recuando de 2.753 quilos/hec para 2.624 quilos por hectares, anotando queda de 16% em relação à safra 2010/11, quando os sojicultores conseguiram colher 3.116 quilos em cada hectare.
Destaque para Goiás que deve colher 3.200 quilos/hectares, 50% a mais em comparação à média 2010/11 (2.140 quilos/hectares). Totalmente inverso ao cenário do Rio Grande do Sul, onde as condições climáticas desfavoráveis derrubaram a produtividade de 2.845 para 1.560 quilos apenas.
A produção 2011/12 de soja deve somar 65,6 milhões de toneladas na safra 2011/12, 10% a menos que na safra anterior, de 76,3 milhões de toneladas. Com MT mantendo a liderança, produzindo 21,6 milhões de toneladas.
Um pouco mais otimistas que os técnicos da Conab, os especialistas do IBGE acreditam que o país produzirá na atual temporada 66,6 milhões de toneladas de soja, 1,8% menor que em fevereiro.
Embora a área a ser colhida (24.741.470 ha) aponte um aumento de 0,7%, o rendimento médio esperado (2.692 kg/ha) registra uma queda de 2,5%.
A região Sul registrou aumento de 0,9% na área a ser colhida. Porém houve diminuição de 7,2% no rendimento médio, ocasionando uma redução de 6,4% na estimativa de produção.
O Rio Grande do Sul foi o estado que mais sofreu com a estiagem, acusando uma diminuição no rendimento médio de 14,8% e queda de 14,6% na produção frente ao último levantamento.
A Região Centro-Oeste, responsável por 52,6% da produção do grão neste ano, variou negativamente sua produção em comparação ao mês anterior (- 0,1%), como consequência da queda das estimativas do rendimento médio em 0,7%.
Atenção: O Mato Grosso, principal produtor nacional (32,7%), foi o responsável pela redução nas estimativas de produção da região, devido à menor avaliação do rendimento médio (1,4%), agora estimado em 3.133 kg/ha.
Dados apresentados hoje pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que a produção mundial de soja deve cair 9,1% na atual temporada, somando 240,2 milhões de toneladas.
Os Estados Unidos mantêm a liderança como maiores produtores da commodity, mas também é projetada uma redução para 2011/12, de 8,2%, saindo de 90,6 para 83,2 milhões de toneladas.
Além disso, em sintonia com os órgãos nacionais, o USDA acredita na queda da soja brasileira em 13%, esperando agora uma colheita nacional de 66 milhões de dólares. A China continua sendo o foco das negociações de soja,uma vez que para atender a demanda interna deverá importar 55 milhões de toneladas.
Brasil e Estados Unidos estão páreo a páreo no ranking de maiores exportadores. O Brasil deverá embarcar no atual ano comercial 35,7 milhões de toneladas de soja, enquanto os Estados Unidos devem exportar 35,1 milhões de toneladas.
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