Produção de cana na safra 2011/12 do MS é recorde, mas abaixo do esperado
03 Feb 2012
A Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul) apresentou nesta sexta-feira os dados referentes à produção da cana-de-açúcar referente à safra 2011/12 e apesar de comemorar resultados recordes, os números ficaram abaixo do esperado.
Roberto Hollanda, presidente da entidade, posiciona o clima como principal fator inibidor do crescimento do plantio da commodity, como excesso de chuvas, principalmente entre abril e julho, e depois a geada. O gráfico ao lado mostra as variantes climáticas durante o período da safra.
Ainda assim, números da Biosul mostram que na safra 2011/12 o Mato Grosso do Sul moeu cerca de 33,9 milhões de toneladas, com crescimento de 1% em relação à safra 2010/11, quando a produção ficou em 33,5 milhões/t.
O resultado deste ano é 7 milhões de toneladas inferior ao esperado pelo setor.
Além disso, ficou muito aquém das altas das safras anteriores. Por exemplo, entre a safra 2008/09 e 201011 houve um crescimento de 22% na moagem de cana-de-açúcar.
Na coletiva de imprensa realizada hoje, Hollanda apresentou os dados do desenvolvimento do setor na safra citada mostrando que o Mato Grosso do Sul continua destinando grande parte da cana produzida para o etanol, cerca de 63%, 11 pontos percentuais acima da média da região Centro Sul, que direciona 52% para o etanol.
Entre os derivados do etanol o que mais cresceu no período citado foi o anidro (tipo que é o misturado à gasolina), uma alta de 18%, com total de 425,8 milhões de litros.
Em sentido inverso, a produção do etanol hidratado caiu 19% no comparativo analisado, alcançando 1,205 bilhão de litros.
Somando os dois tipos, a produção atinge 1,631 bilhões de litros, com queda de 11,5% frente à safra passada. Grande parte do etanol produzido no MS (88%) é direcionado a outros estados da federação brasileira, enquanto o restante permanece no mercado interno sem nenhuma exportação.
Referente ao açúcar, a produção atingiu 1,58 milhão de toneladas, sendo que, deste total, 66% é açúcar VHP, ou seja, bruto. De tudo que o MS produziu, 84% foram destinados a outros países, enquanto 16% permaneceu no mercado interno.
Importante: Os números da Biosul colocam o açúcar como o segundo item nas exportações sul-mato-grossenses, ultrapassando os minérios de ferro e atrás apenas das exportações de grãos. Veja detalhes no gráfico ao lado esquerdo.
Cerca de 600 mil hectares são cultivados com cana de açúcar no MS, com 480 mil hectares com área de colheita.
Estudos da entidade mostram que MS possui 8 milhões de hectares de áreas de pastagens subaproveitadas que podem ser ocupadas com o plantio de cana.
Fonte: Ana Brito / Rural Centro
