Agricultores apostam em chuvas em setembro para antecipar plantio de soja
02 Sep 2021
Estratégia em MT anteciparia semeadura da 2ª safra de milho, que representa cerca de 70% da produção nacional e sofreu com o clima após atraso de plantio em 2020/21
Sojicultores de Mato Grosso, Estado responsável por um quarto de toda a produção brasileira da oleaginosa, planejam aproveitar as chuvas previstas para o final de setembro para dar início ao plantio mais cedo neste ano.
O "timing" do plantio de soja em Mato Grosso é particularmente importante pelo fato de o Estado produzir mais de metade da segunda safra de milho do Brasil -quanto mais tarde a semeadura da oleaginosa ocorre, menor a janela para o cultivo do cereal
Segundo o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, modelos indicam que neste ano a chuva chegará mais cedo do que nos anteriores. Ele acrescentou que o mês de outubro trará precipitações regulares para os Estados do Centro-Oeste, mas abaixo da média para o Sul.
O tempo atipicamente seco no ano passado atrasou o plantio de soja em várias semanas, comprometendo a "safrinha" de milho.
Como as chuvas atrasaram em 2020, os produtores tiveram de semear cerca de metade da safra de soja do Estado - o equivalente a cerca de 5 milhões de hectares - nos primeiros 20 dias de novembro, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Isso significa que os agricultores perderam a janela ideal para a semeadura da segunda safra de milho nos dois primeiros meses de 2021 - uma situação que esperam evitar neste ano, diante da forte demanda por milho para ração animal.
"Se em setembro molhar bem a terra, a gente está com vontade de plantar mais cedo para garantir uma boa safrinha de milho", disse à Reuters o produtor Marcos da Rosa.
A segunda safra de milho do Brasil representa cerca de 70% da produção do cereal no país, mas o atraso de plantio causado pela seca e as geadas subsequentes derrubaram a produção em 2021, elevando os preços internos, aumentando a necessidade de importações e encorajando agricultores a plantar mais no novo ciclo de 2021/22.
Fonte: Revista Globo Rural