Especialista em classificação de grãos dá dicas para evitar perdas com a umidade no milho
16 Feb 2022
Os prejuízos e danos são menores quando os grãos são colhidos com teor de água até 20%, no máximo. Com essa umidade, o grão vai precisar passar pelo processo de secagem, para que a umidade seja reduzida aos percentuais de armazenagem e comercialização, estipulados entre 12% a 14% pelo Mapa.
O cultivo do milho no Brasil é bastante expressivo, não só pelo volume de grãos produzidos, mas também pela área plantada que chega ao redor de 21 milhões de hectares referentes as duas safras – normal e safrinha. As expectativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para este ano são de uma área de pouco mais de 15 milhões de hectares e uma produção prevista de 86 milhões de toneladas.
Quando semeado dentro da janela ideal de plantio – de início de janeiro a início de março -, a safrinha pode atingir ótima produtividade, ultrapassando cinco mil quilos por hectare, dependendo da região.
Mas, para as previsões se confirmarem, o produtor precisa fazer a parte dele e tentar não correr riscos, adquirindo, por exemplo, uma boa cultivar, insumos que eventualmente serão utilizados durante a safra e principalmente monitorar o clima e a umidade dos grãos durante a safra.
Vale destacar que é na colheita que o produtor deve ter o máximo de atenção para não perder o que foi investido anteriormente com o plantio. Se a colheita não for realizada no momento adequado, pode acarretar perdas dos grãos.
Uma colheita bem planejada pode diminuir aproximadamente 6% das perdas da produção total de milho no Brasil. Isto significa que os cuidados são essenciais, bem como o ponto de maturidade fisiológica, ou seja, quando não ocorre mais aumento de matéria seca no grão.
Umidade
Com relação à umidade, os prejuízos e danos são menores quando os grãos são colhidos com teor de água até 20%, no máximo. Com essa umidade, o grão vai precisar passar pelo processo de secagem, para que a umidade seja reduzida aos percentuais de armazenagem e comercialização, estipulados entre 12% a 14% pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O classificador de grãos oficial do Mapa, Mauro Cézar Barbosa, que também é instrutor do Senar-Paraná, orienta o produtor a acompanhar de perto a cultura para tentar evitar eventuais problemas. “Além de fazer o plantio dentro da janela ideal e escolher um bom híbrido para sua região, o produtor vai precisar monitorar o clima durante toda a safra e também a umidade dos grãos para não colher com alta umidade”, explica Mauro, ampliando: “Fazendo o plantio dentro da janela ideal, a colheita vai ocorrer no tempo certo, com chuvas menos intensas”.
Barbosa ainda diz que o produtor que é tecnificado e tem a visão de ser um empresário rural, com certeza fará o monitoramento para colher dentro da menor margem de umidade possível para evitar grandes descontos. No entanto, mesmo obedecendo as orientações, o instrutor do Senar observa que o produtor não tem o controle das intempéries climáticas. “O fator ambiental escapa da nossa alçada, mas com um bom monitoramento, com certeza os prejuízos serão menores em casos de eventuais mudanças climáticas durante a safra”, expõe.
Na safra anterior, Barbosa conta que teve produtor que entregou o milho com 32% de umidade, por causa das fortes chuvas durante a colheita. “Colher com este percentual é o mesmo que dar um tiro no pé, pois o produtor vai perder dinheiro”, alerta o especialista em classificação de grãos, acrescentando: “Suponhamos que o agricultor comercializa cinco caminhões de grãos com 32% de umidade, o prejuízo será de um caminhão, isto é, ele vai deixar de receber praticamente o valor de uma carga por conta dos descontos”, exemplifica o instrutor.
Medidor de umidade do grão
O especialista destaca ainda que o monitoramento da umidade do grão antes da colheita é fundamental e deve ser feito por aparelho medidor de umidade. “Tem uma gama de medidores de umidade, desde os portáteis até os de bancada. Para o produtor, o mais recomendado é o portátil por ser mais fácil de manusear”, afirma.
Segundo Barbosa, em princípio o custo de um medidor de grãos pode parecer um pouco alto, porém se o produtor deixa de perder 1% de umidade em um único caminhão de cerca de 33 toneladas, ele praticamente já paga o equipamento. O medidor consegue fornecer o teor exato de umidade, se o grão está muito seco ou abaixo dos teores estipulados, nesta situação o grão fica muito quebrado, vira uma quirera e também terá descontos. Se estiver com a umidade acima do estipulado pelas normas, também vai sofrer redução de preço.
De acordo com o especialista em classificação de grãos, o produtor tem hoje tecnologias e legislações que favorecem o investimento na lavoura. “O conhecimento empírico do agricultor é válido, mas hoje não se pode mais basear decisões apenas em intuição, empirismo. É preciso se adequar, conhecer as legislações e utilizar as tecnologias disponíveis”, enfatiza.
Fonte: O Presente Rural