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- quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Postado em: 03/09/2010 00:00:00
Fonte: Jornal do Comércio
Editoria: Geral

Preparo de campeões requer investimento alto de criadores

Considerados as estrelas da Expointer, os animais que participam dos concursos de raças recebem tratamento de estrelas por parte de seus criadores. Diferentemente daqueles criados exclusivamente com objetivos comerciais, esses espécimes recebem um tratamento especial desde antes de nascer para alcançar o objetivo de conquistar prêmios para seus proprietários. Mas não é só isso. Os resultados das pistas de julgamento se traduzem em valorização para comercialização do animal ou de sêmen.

O pecuarista Fábio Gomes, proprietário da Cabanha Catanduva, de Cachoeira do Sul, conhece bem as necessidades especiais que um animal de pista necessita. Em 20 anos, conquistou 25 grandes campeonatos e 50 campeonatos. “Tudo isso foi resultado de investimentos pesados e muito trabalho”, destaca.

O preparo de um campeão começa antes mesmo de seu nascimento, com a escolha dos pais com a genética correta para produzir um bom animal, o que muitas vezes implica a importação do material genético adequado. “Nenhuma cabanha, por mais que seja autossuficente, tem sua própria genética. Tive que comprar vacas argentinas e embriões do Canadá para obter bons animais”, explica.

Após o nascimento, começa a avaliação do potencial do bezerro. No caso da Catanduva, ao completar três meses os terneiros que apresentam condições para pistas são separados e começam a ganhar tratamento especial. “Eles são amansados, suas mães recebem suplementação alimentar e passam a ficar presos em cocheiras. Aos sete meses são desmamados para ter alimentação especial”, informa.

Após esse período, começam a ser educados a se comportar como o esperado numa pista, com caminhadas e paradas. Geralmente os animais são apresentados na primeira exposição com 10 meses de idade. No caso da raça Angus, eles podem participar das pistas até os três anos, variando de categoria.

A manutenção desse animal, no entanto, tem um custo elevado. Apenas em ração, ele deve comer de 1,5% a 2% de seu próprio peso diariamente. “Isso significa que um touro de uma tonelada precisa de 15 quilos de suplemento alimentar por dia”, calcula Gomes.

Além disso, os criadores também necessitam construir instalações apropriadas para manejar os animais, contar com uma equipe experiente de cabanheiros e veterinários e montar uma estrutura de transporte para levar os animais às competições. “Para vencer uma premiação aos dois anos de idade, investe-se no mínimo R$ 15 mil no preparo do animal, sem contar o que se pagou pela sua genética”, afirma.

A necessidade de investir além da genética também é destacada por quem não trabalha com bovinos de corte. Segundo Marcos Tang, criador de vacas holandesas, apenas boa herança familiar não garante a produção de um campeão. Sua propriedade, a Granja Tang, de Farroupilha, foi a ganhadora do grande campeonato da raça na Expointer 2009.

Conforme Tang, o manejo do animal é tão importante quanto os genes que ele carrega. “Não adianta entregar uma Ferrari para quem não sabe dirigir um Fusca. A vaca pode ter as melhores recomendações genéticas, mas se for cuidada por alguém que não tem preparo, ela não se desenvolverá”, destaca.

No caso do holandês, esse manejo significa manter uma alimentação balanceada, acompanhar seu desenvolvimento, ter cuidados sanitários, assistência veterinária e prezar pelo conforto dos animais. “Eles necessitam de uma cama com serragem limpa, com tamanho adequado, pastagens com sombra e água fresca, tudo para não estressar a vaca e reduzir sua produção de leite”, explica Tang.

O investimento alto garante a quem tem sucesso nas pistas uma boa fama, o que ajuda a melhorar os preços de comercialização dos animais. Segundo Tang, a vitória nas feiras é uma boa vitrine. “Com nossos resultados na Expointer, consegui fazer ótimos negócios, tanto que hoje já não tenho animais suficientes para vender”, afirma.

No entanto, há quem lembre que os animais que participam de premiações nem sempre são melhores em relação aos comuns. “Podem ser morfologicamente mais perfeitos, mas isso não quer dizer que um grande campeão seja melhor que um bom touro rústico criado a campo”, diz Pedro Monteiro Lopes, proprietário da Cabanha Pitangueira, de Itaqui.

Tendo conquistado oito vezes o campeonato brasileiro da raça Bradford, Lopes acredita que a supervalorização de um campeão é uma ilusão. “Ganhar um campeonato faz um ótimo marketing, mas esses animais são espécimes superalimentados, artificiais, que teriam uma saúde mais débil em condições normais de criação”, explica. Para o criador, as avaliações deveriam levar mais em conta a capacidade do animal como produtor de carne do que aspectos estéticos, comparando os bovinos em condições normais de criação. “Isso é algo que deveria ser discutido no futuro”, destaca.
 

     
 
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