06 Sep 2010

Quase três meses após as enchentes, agricultores de Alagoas lutam para recuperar o que foi destruído pela força da água.

O cenário ainda é de destruição no interior de Alagoas. Recomeçar ainda parece difícil depois da enchente. O agricultor tira os escombros da casa de farinha para construir uma nova. Vaqueiros se esforçam para tanger o boi nas estradas cheias de lama. “Não tem estrada. O camarada quer vender uma mercadoria, tem que vender, está perdido. A situação está difícil para todo mundo”, diz Severino Leite, vaqueiro.

Para quem perdeu a casa a situação ainda é mais difícil. Na zona rural de Santana de Mundaú, os povoados ribeirinhos foram abaixo. Mais da metade da casa de José Reinaldo de Melo foi arrastada pelas águas do Mundaú. “Tinha animai para carregar as cargas, tinha ovelha, hoje praticamente não temos mais nada. Perdeu quase tudo”, conta o agricultor.

A filha caçula não esquece o dia da enchente. “A casa caiu e a alegria foi embora”, diz Gabriela Alves de Melo, de 7 anos.

A menina vai com a mãe, todos os dias, levar a marmita do peque produtor. Ele continua trabalhando no sítio, mas a família se mudou para a casa de parentes na cidade. Onde havia três pessoas, agora moram sete.

Os novos moradores moram na cozinha e as poucas roupas são fruto de doações. “Será que vou viver o resto da minha vida desse jeito? Sem ter nada pra oferecer aos meus filhos”, lamenta Maria Girleide Alves de Melo, dona de casa.

Ao todo, 1.261 famílias perderam as casas no município e ainda moram de improviso em abrigos ou casas de parentes. O governo federal já garantiu verba para a desapropriação de 100 hectares de terra para a construção de novas casas, o problema é que no lugar devastado pela enxurrada é difícil encontrar terreno adequado.

A prefeitura tentou um terreno às margens da rodovia, mas os geólogos condenaram, pois fica próximo a uma central de tratamento de esgoto.

Em um espaço, no centro da cidade, dez barracas foram montadas, mas a população se recusa a morar nelas.

A prefeitura tenta desapropriar a área de uma fazenda para a construção de um acampamento para os desabrigados.

Fonte: Globo Rural



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