Loja virtual de produtos veterinários disputa prêmio nacional de e-commerce
28 Jul 2011
O comércio varejista, da forma como o conhecemos, está mudando. Com o advento e a popularização da internet, os negócios encontraram no e-commerce uma alternativa para alcançar bom rendimento e vendas, mesmo sem um estabelecimento físico para comercialiação. Mais do que isso, empresas tradicionais do mercado tem se rendido a internet, expandindo braços na web, seja para atingir novos espaços, seja para consolidar a sua marca.
No entanto, a popularização traz a concorrência e é preciso investir em qualidade de gestão, logística, marketing e no desenvolvimento de novas ideias e propostas para conquistar e fidelizar o cliente, atendendo suas necessidades. E é para premiar as melhores práticas no comércio eletrônico nacional que o Fórum E-commerce Brasil oferece, no dia 27 de agosto, um prêmio para os destaques do ano no setor.
Entre os 40 indicados para um total de oito categorias, uma empresa se destaca no quesito inovação por ser a única voltada para o setor agropecuário. A empresa sul-mato-grossense de comércio eletrônico para produtos veterinários disputa pela primeira vez o prêmio, representada pelo gerente de e-commerce Renan Superti. “A nossa loja física existe há 14 anos e atende só Mato Grosso do Sul”, ressalta ele. “O site mesmo surgiu em 2007 e, de lá pra cá, já atendemos todos os estados brasileiros, cerca de 600 municípios”.
Ainda que não conquiste a primeira posição, Renan diz entender que a importância do prêmio é o reconhecimento de uma proposta que já nasceu inovadora. “Havia na internet várias lojas para produtos veterinários, mas só para gatos ou cachorros. Fomos os pioneiros na comercialização para grandes animais, voltada realmente para o pecuarista”.
Público-alvo

Enquanto os compradores da loja física são os grandes produtores rurais, no site, de acordo com Renan, são os proprietários de sítios e chácaras os maiores – e mais fiéis – compradores do site. “É principalmente gente do interior, que compra pouco, mas compra todo mês”. Foi buscando adequar-se ao seu público alvo que o site foi se adaptando. Hoje, segundo o gerente de e-commerce, as vendas da loja virtual aumentaram em 500% desde o nascimento do site.
Para chamar a atenção dos compradores, desde o início a loja virtual buscou trabalhar com preços bem abaixo dos praticados na loja física, de modo que mesmo compradores de fora de Mato Grosso do Sul pudessem adquirir os produtos, pagar o frete e a compra ainda valer a pena. “O produtor rural é desconfiado. A gente recebe muita ligação aqui querendo saber se o site existe mesmo, onde que fica...”, revela Superti.
A aposta num público segmentado pode, à primeira vista, parecer arriscada, visto que o público rural teoricamente não teria muito contato com o ambiente web. No entanto, essa é justamente a vantagem que Renan enxerga no mercado em médio prazo. Durante os três primeiros anos, a proposta da empresa foi manter o mais baixo possível a margem de lucro para poder atrair os clientes. Hoje, com o valor já estabilizado, Renan afirma que vende mais em um mês do que muitos vendedores da loja física. “Enquanto a loja tem limitação de região, o site é aberto para todo o Brasil. Com certeza no futuro a internet vai vender mais do que a loja. O e-commerce é um caminho sem volta”.
E-commerce rural
As compras no mercado agropecuário dificilmente são feitas por impulso. Com o preço como o principal chamariz, o produtor rural pesquisa muito antes de realizar uma compra. A tendência não é exclusiva desse nicho e de acordo com pesquisa realizada pela GS&MD consultoria, em 2011, 81% dos internautas brasileiros utilizam as lojas virtuais para pesquisar preços antes de finalizar uma compra.
Para o coordenador da Ecommerce School, em São Paulo, Maurício Salvador, existem fatores que ainda atrapalham a ampliação das vendas online para o setor rural. Um deles, e talvez o principal, é a baixa velocidade da conexão com a internet. “Estudos mostram que quanto maior a banda (velocidade da conexão da internet), mais tempo o usuário passa em lojas virtuais”.
Ainda assim, a expectativa para o futuro é promissora. Atualmente, dos 210 milhões de brasileiros, apenas 80 milhões têm acesso à internet. Destes, apenas um terço tem o hábito de realizar compras online. “Ainda tem muita gente de fora da internet. O comércio eletrônico ainda tem muito para crescer no País”. Programas de incentivo a ampliação do acesso à web, como o Banda Larga para Todos, do Governo Federal, podem refletir positivamente no mercado de e-commerce.
Segundo o coordenador, sites que desejam trabalhar com comércio eletrônico para produtores rurais devem apostar em layouts simples e práticos, sem fotos muito pesadas. Não por uma questão estética, mas de funcionalidade. “Normalmente esse público não tem acesso a uma boa conexão, por rádio ou telefone. Se a navegabilidade não for boa e a página for muito pesada, eles vão acabar desistindo do site e procurando outro”.
Fonte: Andriolli Costa / Rural Centro