Anvisa abre consulta pública sobre proibição de dois tipos de agrotóxicos
27 Jan 2012
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu consulta pública para avaliar a possível proibição dos inseticidas parationa metílica e forato, utilizados na produção de algodão, feijão e soja. O processo encerra no dia 23 de março. De acordo com o órgão, as substâncias, cujo uso não é permitido na União Europeia e restrito nos Estados Unidos, podem causar danos à saúde. De acordo com o gerente geral de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles, o órgão recomenda a retirada dos produtos do mercado brasileiro.
"Tem o risco crônico, que é o que principalmente fundamentou a decisão da agência. Isso independe de dose. É claro que, quanto maior a dose, maior o risco, mas em pequenas doses se pode provocar um dano ao sistema reprodutor ou uma mutagenicidade em células, que independe dessa quantidade de exposição", explica.
Em quantidades que ultrapassam o limite recomendado, os agrotóxicos podem ainda contaminar os alimentos, segundo a professora de toxicologia da Universidade de Brasília, Eloísa Dutra Caldas.
"Os níveis encontrados nos alimentos podem ser muito altos e, dependendo do alimento e do padrão de consumo pela população, isso pode representar um risco para a saúde do consumidor de alimentos também", diz.
Representantes da indústria de defensivos consideram o processo de substituição de tecnologias um avanço. Entretanto, para o diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, existe um problema de lentidão na liberação de novos produtos.
"A média de novos ingredientes ativos que vão entrar no mercado, que deveriam por lei ser avaliados e colocados à disposição em 120 dias, está levando 38 meses. Isto é uma crítica ao sistema burocrático e em última instância um desserviço ao agronegócio brasileiro", ressalta.
A Anvisa informa que 99% dos processos de registro de novos produtos encaminhados ao órgão têm algum tipo de deficiência e que as adequações acabam provocando a demora na liberação.
Fonte: Canal Rural