Pesquisa incentiva associação de culturas
08 Feb 2010
Uma nova opção de produção e renda aos pequenos produtores da agricultura familiar está sendo proposta pela unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Cerrado), sediada em Planaltina (DF). De acordo com os estudos, a associação de frutas a hortaliças, leguminosas, cereais, plantas medicinais e pseudocereais pode resultar em uma nova alternativa de produção. Iniciada no início do ano, a pesquisa já dá os primeiros resultados e atrai o interesse de agricultores da região e também de outros estados.
O estudo é coordenado pelo pesquisador Tadeu Graciolli. Segundo ele, a idéia é que enquanto o agricultor aguarda o crescimento do pomar, o espaço disponível entre as fruteiras em crescimento pode ser usado para o cultivo de diversas outras culturas. Em 0,3 hectares o experimento da pesquisa comportou durante o primeiro semestre variedades diferentes de alface, alho, cebola, milho, salsa e amaranto, entre outras culturas.
Como o sistema gera a otimização do uso do solo, da irrigação e da mão-de-obra, a produtividade é maior. O pesquisador explica que em uma área de 1 ha é possível produzir o equivalente ao que seria produzido em 1,6 ha. Isso, para o pequeno agricultor, resulta em uma produção rica e variada, podendo ser sinônimo de maior lucratividade devido à diversificação de mercados em que ele pode atuar antes mesmo de seu pomar começar a produzir. O pesquisador explica que essa variedade proporciona também uma dieta mais rica para os agricultores que normalmente consomem o que produzem. Assim, o resultado é o maior estímulo ao consumo de hortaliças e à segurança alimentar da população rural.
O estudo é análogo ao dos sistemas agroflorestais. Como as frutas são o componente principal dos consórcios, Graciolli sugere que este sistema seria chamado de sistema agrofrutícola. Contudo, ele avalia que como se trata de um projeto recente, ainda há muito a descobrir sobre esse tipo de consórcio. A equipe da Embrapa Cerrados envolvida na pesquisa conta ainda com outros pesquisadores, assistentes e estagiários. Eles buscam avaliar, também, se há ganhos de produtividade, a composição nutricional dos produtos colhidos, as variedades de cada cultura que melhor se adaptam ao cultivo consorciado e o balanço financeiro dos consórcios.
Outra vantagem do consórcio é que a diversidade em uma pequena área evita o aparecimento de pragas, o que é muito comum em lavouras de monocultivo. O ambiente com maior biodiversidade favorece o equilíbrio entre os inimigos naturais e as pragas comuns na agricultura. O pesquisador explica ainda que o defensivo só entra em último caso, e seguindo estritamente as recomendações de uso e segurança. Como resultado do consórcio, o solo fica também enriquecido pela produção de matéria orgânica.
Fonte: A Gazeta